top of page
Buscar

Pensamentos intrusivos: um sinal de TOC?

19 de ago.
4 min de leitura

Você já teve um pensamento tão estranho ou perturbador que se perguntou: “Como fui capaz de pensar isso?”


Pensamentos intrusivos acontecem com todo mundo. São ideias, imagens ou impulsos que surgem sem que a gente queira. Às vezes, têm um conteúdo agressivo, sexual, religioso ou moral. Outras vezes, aparecem como uma dúvida: “E se eu perder o controle?” ou “E se esse pensamento revelar algo sobre quem eu sou?”.

Pessoa se olhando no espelho e se perguntando "O que esse pensamento diz sobre mim?"

Ter um pensamento não significa desejar que aquilo aconteça, concordar com ele ou ter a intenção de agir. E também não significa, necessariamente, ter Transtorno Obsessivo-Compulsivo, o TOC (ou POC - Pertubação Obsessivo-Compulsiva).

Mas, para algumas pessoas, o pensamento simplesmente não passa. Ele retorna sistematicamente, ou seja, é obsessivo, e provoca medo, culpa ou vergonha, sofrimento. É aí que pode ser um sinal de TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo.



Por que os pensamentos do TOC assustam tanto?


Muitas obsessões do TOC são egodistônicas. Esse nome parece complicado, mas significa que o pensamento tem um conteúdo contrário aos valores, aos desejos e à maneira como a pessoa se reconhece.

Uma pessoa que ama profundamente sua família, por exemplo, pode ter um pensamento involuntário de que algo ruim aconteça com alguém que ama. Uma pessoa muito cuidadosa com questões morais pode passar a duvidar se foi desonesta, ofensiva ou inadequada. Também podem aparecer pensamentos de conteúdo sexual, religioso ou agressivo. 

E como tudo a que se resiste, persiste, quanto mais a pessoa tenta “não pensar em uma maçã”, mais os pensamentos aparecem, por mais perturbadores que sejam.

Esses pensamentos assustam justamente porque são muito diferentes daquilo que a pessoa pensa sobre si mesma.

O problema é que, quando ela não sabe que esse tipo de pensamento pode fazer parte do TOC, começa a interpretá-lo como uma ameaça. Em vez de pensar “foi apenas um pensamento involuntário”, passa a se perguntar:

“Por que pensei isso?”

“Será que, no fundo, eu queria fazer isso?”

“E se eu for uma pessoa ruim?”

“Como posso ter certeza de que nunca faria algo assim?”

Quanto mais pensa, mais presa fica ao pensamento.




TOC não é apenas limpeza, organização e verificação


Quando falamos em TOC, muita gente ainda pensa apenas em alguém que lava as mãos várias vezes, organiza objetos ou confere repetidamente se a porta está trancada.

Esses sintomas podem acontecer, mas o TOC não se resume a isso.

As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e indesejados que provocam ansiedade ou desconforto. Já as compulsões são as tentativas de diminuir esse desconforto ou evitar que alguma coisa ruim aconteça.

Algumas compulsões são visíveis. A pessoa verifica portas, lava as mãos ou repete determinado comportamento. Outras acontecem apenas na mente e, por isso, são mais difíceis de identificar.

A pessoa pode revisar uma situação inúmeras vezes na memória, analisar o próprio pensamento, repetir frases mentalmente ou tentar substituir um pensamento “ruim” por outro considerado “bom”. Também pode pedir repetidamente que alguém confirme que ela não fez nada errado ou pesquisar durante horas para tentar eliminar uma dúvida.


O alívio costuma vir, mas dura pouco. Logo surge uma nova dúvida, e a pessoa sente que precisa verificar tudo novamente. Assim, o ciclo se mantém.


A sensação de que algo ainda não está certo


Existe ainda uma manifestação do TOC que não está necessariamente relacionada ao medo de que algo ruim aconteça.

Algumas pessoas sentem que precisam repetir uma ação até que ela pareça completa ou exatamente certa. Essa experiência é conhecida como sensação de just right.

Pode ser necessário reler uma frase, repetir um movimento, mudar de posição na cadeira, reorganizar um objeto ou realizar determinada tarefa mais de uma vez. A pessoa nem sempre consegue explicar o que aconteceria caso não repetisse. Ela apenas sente que ainda não está bom, correto ou completo.

Quando repete a ação, sente um alívio temporário, o just right. Mas, com o tempo, essa necessidade pode ocupar cada vez mais espaço na rotina.


Por que é tão difícil falar sobre esses pensamentos?


Muitas pessoas têm vergonha de contar o que pensam. Têm medo de serem julgadas ou de que o profissional interprete aquele pensamento como um desejo real.

Por isso, procuram ajuda falando apenas sobre ansiedade, tristeza, culpa, insônia ou dificuldade de concentração. Sofrem, às vezes deprimem, mas não conseguem falar sobre o conteúdo dos pensamentos.

Isso pode fazer com que passem muito tempo com um diagnóstico de ansiedade ou depressão, sem que o TOC seja reconhecido.


Para avaliar se existe um quadro de TOC, não basta olhar para o conteúdo isolado de um pensamento. É preciso entender como ele aparece, quanto sofrimento provoca, o que a pessoa faz para tentar neutralizá-lo e o impacto disso na sua vida.


Quando vale a pena procurar ajuda?


Vale a pena buscar uma avaliação quando os pensamentos aparecem de maneira recorrente, provocam muito medo, culpa ou vergonha e ocupam uma parte importante do dia.

Também é importante observar se existe uma necessidade constante de revisar situações, pedir confirmações, pesquisar, repetir ações ou evitar pessoas, objetos e lugares para tentar se sentir seguro.


E, principalmente, se você tem pensamentos que o assustam, tente lembrar: um pensamento involuntário não define quem você é.

A mente mente!


Ter um pensamento não é o mesmo que desejar, querer ou agir. E esconder esses pensamentos por vergonha pode tornar o sofrimento ainda mais solitário.

O TOC tem tratamento. Falar sobre aquilo que está acontecendo, mesmo quando parece estranho ou difícil de explicar, pode ser o primeiro passo para compreender o problema e receber o cuidado adequado.


Se você se identificou com essas experiências ou convive com pensamentos que causam medo, culpa ou vergonha, saiba que é possível falar sobre isso em um ambiente seguro e sem julgamentos.


Uma avaliação cuidadosa pode ajudar a compreender se esses sintomas fazem parte de um quadro de TOC e indicar o tratamento mais adequado.


Para agendar sua consulta, entre em contato.




 
 
 

Comentários


bottom of page