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Por que quanto mais tento dormir, menos consigo?


Quarto escuro, cama abarrotada, janela mostra o sol nascer.

Você já se viu nessa situação?


Você deita na cama decidido a dormir cedo. Fecha os olhos.Olha as horas no celular, se perde no celular. Pensa que precisa descansar porque amanhã terá um dia cheio.Passaram-se 30 minutos? 1 hora? Dá até medo de olhar as horas novamente. Quanto mais você tenta dormir, mais desperto parece ficar.


Você se pergunta por que quanto mais tento dormir, menos eu consigo?!


Essa é uma das experiências mais comuns entre pessoas que convivem com a insônia. E, embora pareça contraditório, existe uma explicação importante: o sono não acontece melhor quando tentamos controlá-lo.





Dormir não é uma tarefa


Quando o sono deixa de ser natural, é comum que ele passe a ocupar um espaço enorme na nossa mente.


Você começa a fazer contas:

"Se eu dormir agora, ainda consigo seis horas."

"Preciso dormir logo."

"Amanhã vou estar péssimo."


Sem perceber, a cama deixa de ser um lugar de descanso e passa a ser um lugar de desempenho, o sono uma performance. Muitas vezes, monitorado por relógios e aplicativos, você observa o quanto que teve sono REM e não REM a cada noite. 

Você olha para o problema e pensa “na próxima noite, vou fazer melhor". 

Mas existe um problema nessa lógica.

O sono não é uma habilidade que melhora com esforço.

Diferentemente de aprender um idioma ou resolver um problema matemático, dormir não depende de tentar mais.

Na verdade, o excesso de esforço costuma produzir o efeito contrário.


O papel do sistema nervoso


Nosso sistema nervoso tem uma prioridade muito importante: garantir nossa sobrevivência.

Quando ele identifica uma ameaça, prepara o corpo para reagir.

O coração acelera.

Os músculos ficam tensos.

A atenção aumenta.

Esse estado é extremamente útil quando existe um perigo real.

O problema é que ele também pode permanecer ativo diante de preocupações, perdas, conflitos, ansiedade ou estresse prolongado.

Mesmo que você esteja em um quarto silencioso e seguro, seu organismo pode continuar funcionando como se ainda precisasse permanecer em alerta.

E um corpo em estado de alerta não entende que chegou a hora de dormir.

Quanto mais você fica preocupado e tenso porque não consegue dormir, mais ativa o modo de alerta ou de sobrevivência.


Quanto mais controle, mais vigilância, mais alerta


Quando começamos a monitorar o sono o tempo inteiro, algo curioso acontece.

Cada noite passa a ser uma espécie de teste.

Será que vou conseguir dormir?

Quantas horas ainda faltam?

Será que vou acordar cansado novamente?

Essa vigilância constante envia ao organismo uma mensagem oposta ao descanso.

Em vez de segurança, aumenta a sensação de que existe algo importante acontecendo.

Por isso, muitas pessoas percebem que justamente nas noites em que "precisam muito dormir" acabam encontrando mais dificuldade.

Já notou que quando você tem um compromisso cedo e fica preocupado com a hora de acordar, fica mais difícil dormir?! 


A insônia nem sempre é apenas sobre o sono


Em muitos casos, a dificuldade para dormir é algo recorrente na vida da pessoa. Essa perturbação do sono ou insônia é quando a pessoa costuma ter dificuldade para iniciar ou manter o sono. Ou ainda, quando desperta precocemente, muito cedo, desnecessariamente. Ou ainda, quando acorda muito cansada, com a sensação de que não dormiu.

Muitas vezes, esse é um problema de longa data. Tem pacientes que me dizem que lutam com o sono desde a infância ou “desde que se entendem por gente". Para outras pessoas, o problema começou mais recentemente.

A insônia também, muitas vezes, faz parte de um contexto maior. Pode ter começado após uma evento traumático, problemas familiares, problemas com trabalho, ou em um contexto de depressão, burnout, luto, ansiedade. Ou seja, contextos que mantêm o sistema nervoso mobilizado.

Isso não significa que exista algo "errado" com você.

Significa apenas que vale a pena olhar para além do sintoma.


Em vez de perguntar apenas:

"Como faço para dormir?"


Talvez seja útil perguntar:

"O que pode estar mantendo meu corpo em estado de alerta?"


Essa mudança de perspectiva costuma abrir novas possibilidades de cuidado.


Existe uma forma de ajudar o corpo?


Em vez de tentar controlar o sono, pode ser mais útil criar condições para que ele aconteça.

Isso inclui pequenos sinais que ajudam o organismo a perceber que o dia terminou.

Algumas pessoas encontram esse convite em uma leitura tranquila.

Outras preferem um banho morno, alguns minutos de respiração consciente ou uma iluminação mais suave no fim da noite.

Não existe um ritual perfeito.

O mais importante é construir uma rotina possível, repetida com constância, que comunique ao corpo uma sensação de previsibilidade e segurança.

Pequenas mudanças costumam ser mais sustentáveis do que transformar toda a rotina de uma só vez.

Já sei, muitas pessoas vão dizer “eu já tentei essas mudanças simples da rotina, já tentei a tal higiene do sono, mas não consigo dormir". 


Já tentei higiene do sono e tudo isso não não consigo dormir


Sim, para algumas pessoas, fazer higiene do sono, criar um ritual de desaceleramento, vai resolver. 

No entanto, em muitos outros casos, o processo é mais complexo e demorado. Levar o corpo para o estado de segurança e relaxamento, em que é possível soltar, entregar-se, dormir, é um processo mais complexo. 

Convido à essa mudança de perspectiva: que tal começar seu processo de oferecer a seu corpo segurança e relaxamento? 

Criei o Programa Dormir Melhor exatamente para ser uma dessas portas de entrada para essa jornada.


Programa Dormir Melhor


Diante de tanta gente com queixas sobre o sono nas consultas e das minhas próprias descobertas nos últimos anos sobre meu sono, quando comecei a mudar de perspectiva através da psicoterapia somática, queria que mais pessoas pudessem ter acesso a isso.

Então, busquei sistematizar um material que reunisse o que costumo dialogar com meus pacientes nas consultas quando se queixam de dificuldade para dormir. 

Até porque, nas consultas, nem sempre é possível trabalhar tudo isso, envolvendo o sistema nervoso, a perspectiva da psicoterapia somática e da medicina. 

Então criei esse material escrito, com pequenos vídeos, exercícios escritos e práticas de audio guiado, para que a pessoa possa ingressar nessa auto observação acolhedora sobre o sono, sobre seu sistema nervoso, e experienciar formas de levar o corpo para o estado de segurança em que é possível dormir. 





Quando procurar ajuda em consulta individual?


O Programa Dormir Melhor não busca substituir as consultas médicas nem a psicoterapia.

Se a insônia persiste por semanas, interfere na sua qualidade de vida ou vem acompanhada de sintomas importantes de ansiedade, depressão ou sofrimento emocional, é recomendável buscar avaliação profissional.

No acompanhamento através das consultas, podemos avaliar sua relação com o sono aprofundadamente. O cuidado com a insônia raramente se resume a fazer alguém dormir naquela noite. Em muitos casos, ele envolve compreender o contexto em que essa dificuldade apareceu e construir formas mais amplas de cuidado. Muitas vezes, nesse contexto, há uma depressão, ansiedade, e outras condições.





Se você precisa de acompanhamento médico, psicoterapêutico, se usa medicamentos,isso não significa que o Programa Dormir Melhor não seja para você. Ele cumpre outro papel. O papel de promover auto consciência, auto observação, aprendizagem e experienciação que vão ser muito úteis na sua jornada de melhora do sono.





Dormir é consequência, não obrigação


Por fim, talvez a ideia mais importante seja esta:

Seu corpo sabe dormir.

O sono não precisa ser fabricado à força.

Ele costuma aparecer quando o organismo reconhece que já pode descansar.

Se você vive tentando controlar cada detalhe da noite, talvez seja o momento de trocar uma pergunta por outra.

Em vez de:

"Como faço meu corpo dormir?"

Experimente perguntar:

"Como posso ajudá-lo a se sentir seguro?"

Às vezes, essa mudança de perspectiva é o primeiro passo para reconstruir uma relação mais gentil com o sono.


 
 
 

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